MB Review: 10 Dance #1 e #2

Shinya Suzuki e Shinya Suguki compartilham o nome e uma paixão visceral pela dança. Cada um deles se destaca e compete em modalidades distintas, Suzuki na dança latina e Sugiki na standard. Eles estariam fadados a jamais se encontrar se não fosse pelo “10 Dance”, um torneio onde os dançarinos devem dominar todos os estilos de ambas  as modalidades. A iniciativa parte de Sugiki, que não somente desafia Suzuki para a competição, mas para que treinem juntos e ensinem um ao outro, dando início a uma rivalidade intensa que irá transformar suas vidas.

Logo no começo fica evidente que os dois homens possuem muitas diferenças. Suas vivências e estilos artísticos são completamente opostos, mas quanto à personalidade, existem alguns pontos em comum. Ambos são determinados, controladores e muito confiantes, e talvez justamente por isso entrem em rota de colisão com tanta facilidade.

Os dois primeiros volumes acompanham o dia-a-dia dos dançarinos e ambientam o leitor no universo suntuoso e elegante da dança de salão. A dinâmica dos protagonistas no início é repleta de hostilidade, mas aos poucos vemos surgir não somente uma tremenda tensão sexual, mas também a profunda admiração e respeito que sentem um pelo outro. Os embates frequentes entre Sugiki e Suzuki até que são divertidos na maior parte do tempo, mas existem momentos em que os conflitos parecem não fazer muito sentido.

“10 Dance” não é uma obra focada no desenvolvimento romântico dos protagonistas, pelo menos não no começo, embora os sentimentos dos mesmos sejam uma parte fundamental da trama. Mas se trata principalmente de um slice-of-life, às vezes mais dramático e em outras mais descontraído, explorando um ambiente envolvente e competitivo a partir da perspectiva de dois homens que ainda estão compreendendo os próprios sentimentos. 

A mangaká Inouesatoh entrega um trabalho primoroso, com uma arte fluida, que captura perfeitamente os “movimentos” dos personagens. A narrativa se desenvolve gradualmente, explorando as diversas nuances dos protagonistas, que são irritantes e encantadores na mesma proporção, conduzindo como em uma dança as emoções dos leitores para onde bem entendem.


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