MB Review: Little Bird

Uma rebelião é formada para lutar contra a opressão do Império Americano, sustentado pelo fanatismo religioso, mas nem tudo sai como o esperado. Em meio às ruínas, com sua mãe sequestrada e sem rumo, uma criança chamada Pássaro Pequeno torna-se a última esperança para libertar o mundo dessa ditadura, buscando os últimos aliados no que restou de um planeta à beira da distopia.

Little Bird impressiona logo em seu primeiro capítulo ao entregar uma história que se assemelha, em diversos aspectos, aos acontecimentos que vivemos em nossa própria realidade. Acompanhamos a protagonista em uma jornada que não se limita à resistência contra um regime opressor, mas também à descoberta de sua própria identidade e de suas raízes familiares, profundamente ligadas à cultura indígena, novamente subjugada e mantida refém por um povo movido pelo extremismo religioso.

Nesse ponto, o quadrinho acerta em cheio ao construir uma crítica ao regime teocrático, principalmente pela forma como este trata a ciência e reprime a população rebelde, sustentando uma aparência de moralidade baseada apenas naquilo que considera como verdade absoluta. Em sua primeira metade, a obra apresenta com eficiência os dois lados desse continente, equilibrando grandes momentos de ação com páginas que expandem sua própria mitologia por meio de diagramações belíssimas e repletas de detalhes.

Todavia, a história perde um pouco de fôlego em sua reta final. Os acontecimentos passam a se desenrolar de maneira acelerada, exigindo um desenvolvimento mais cuidadoso para que seus momentos mais épicos tivessem o impacto e o tempo necessários para serem plenamente absorvidos e apreciados pelo leitor.

Um dos maiores destaques de Little Bird é, sem dúvida, sua arte. O quadrinho apresenta um estilo que remete às obras de Moebius, mesclando essa influência com o minimalismo característico do design de Tsutomu Nihei, entregando um mundo belíssimo, marcado por cenários minimalistas e tecnologias fascinantes. Tudo isso é acompanhado por cenas de ação frenéticas e violência gráfica, sem poupar ninguém.

Little Bird apresenta uma premissa instigante e levanta reflexões relevantes, construindo uma narrativa que prende a atenção pelo desenvolvimento de seu universo e de seus personagens. Embora perca parte do fôlego na reta final, a obra permanece consistente e demonstra o enorme potencial de sua proposta.


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