MB Review: Capitão Tsubasa #1

Tsubasa Oozora é um garoto de 11 anos apaixonado por futebol. Após se mudar de cidade, ele ingressa na escola primária Nankatsu e logo se depara com o genial goleiro da escola rival, Genzou Wakabayashi. Instigado a desafiá-lo e a aprimorar suas próprias habilidades, Tsubasa passa a enxergá-lo como o grande rival a ser superado, dando início à sua trajetória no futebol de uma forma que jamais havia experimentado.

O primeiro volume de Capitão Tsubasa é uma verdadeira aula de construção narrativa e desenvolvimento de protagonista. Fruto de outra época, o mangá não tem pressa para apresentar seus principais elementos e desenvolvê-los com calma. A primeira partida, motivada pela rivalidade entre as duas escolas, sequer chega ao fim neste volume, e isso funciona muito bem. Sem a correria comum de muitas obras atuais, tudo o que antecede esse confronto ganha peso e importância, fazendo com que cada acontecimento contribua para a construção da história.

A trama também apresenta personagens fundamentais para a obra, como Roberto Hongo, ex-jogador da seleção brasileira que vai ao Japão devido a circunstâncias pessoais e acaba assumindo o papel de treinador da Nankatsu. Rapidamente, ele reconhece o enorme potencial de Tsubasa e se torna uma figura decisiva em sua evolução. Outro destaque é Taro Misaki, garoto talentoso que surge no momento certo da narrativa e cuja presença acrescenta uma nova dinâmica à história.

A arte de Yoichi Takahashi é um espetáculo à parte. Mesmo sendo um traço característico dos anos 80, consegue transmitir toda a velocidade e intensidade das partidas. A movimentação dos jogadores, a trajetória da bola e a sensação de impacto em cada lance são representadas com grande eficiência, culminando em páginas duplas extremamente dinâmicas.

A edição da Panini chega com capa cartão e sobrecapa, miolo em papel offset e brindes como marca-página, card colecionável e um adesivo para o diário de leitura.

Ler o primeiro volume de Capitão Tsubasa traz um certo alívio por finalmente termos em mãos um dos mangás mais consagrados de todos os tempos, responsável por marcar a infância de muitos dos leitores de hoje. Ao mesmo tempo, a obra também serve como uma excelente porta de entrada para quem ainda não conhece a franquia. A Panini acerta o timing ao publicar o título justamente em um ano de Copa do Mundo, tornando seu lançamento ainda mais oportuno. Mais do que recomendado, Capitão Tsubasa é, de longe, um dos maiores acertos da editora neste ano.


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