Hajime Satou é um jovem garoto que acaba encontrando um misterioso rapaz enterrado sob uma cerejeira. Seu nome é Hajime Shibata. A partir desse encontro bizarro, Satou e Shibata passam a viver como melhores amigos, até que Satou faz um desejo: “Bem que todas as pessoas poderiam virar Shibatas”.

Cinco anos se passam desde uma briga que separou os dois amigos, até que Satou tem a chance de reencontrar seu antigo colega. No entanto, ele percebe que aquele desejo pode ter se tornado realidade — e da pior maneira possível…

Shibatarian prende a atenção do leitor desde o início. Apesar de já sabermos que algo dará errado, toda a construção do primeiro capítulo mantém a tensão justamente por causa dessa expectativa, fazendo com que o leitor espere ansiosamente pelo momento em que tudo sairá dos trilhos, despertando curiosidade sobre qual rumo a obra irá tomar.
A partir desse ponto, a obra flerta com o absurdo e entrega momentos de horror psicológico através de um personagem caricato que assombra tanto o protagonista quanto o próprio leitor, e tudo isso funciona muito bem, pelo menos neste primeiro volume. Ainda assim, a narrativa constrói em segundo plano uma motivação plausível para que Shibata consiga se multiplicar, e talvez esse seja o maior risco assumido pelo autor em sua proposta.

A arte de Katsuya Iwamuro, apesar de simples, funciona extremamente bem dentro dessa narrativa. O autor consegue transmitir o horror com cenas bizarras em que Shibata e seu exército perseguem suas vítimas das mais diversas formas, e esse é justamente um dos grandes chamarizes de Shibatarian.

A edição da Panini chega em capa cartão com sobrecapa, papel off-white e alguns brindes, como marcador de página e um adesivo para utilizar no diário de leitura. Assim como a edição original japonesa, a obra não contem nenhuma página colorida.

O primeiro volume de Shibatarian entrega um excelente começo, fisgando o leitor com uma história bizarra e, de certa forma, divertida, além de deixar uma grande curiosidade sobre os próximos rumos da trama. Por ser uma obra completa em apenas cinco volumes, há boas chances de a história se encerrar sem se alongar mais do que o necessário, entregando uma narrativa coesa e divertida até o fim. Recomendado para quem gosta de obras do gênero de horror.










