Para escapar das investidas de duas colegas que insistem para que escolha uma delas para namorar, o jovem universitário Tang Tang inventa que não gosta de garotas e que já tem um namorado. E para que sua história seja convincente, ele pede que Chen Qingye, seu melhor amigo, finja ser seu namorado. Qingye hesita, mas no fim acaba aceitando a proposta de seu amigo, e aquilo que a princípio parecia apenas uma brincadeira inocente, acaba se revelando algo um tanto desafiador.

Tang Tang e Qingye são naturalmente muito próximos, então não é difícil para que eles mantenham as aparências diante das amigas de Tang Tang, mas estas parecem não estar convencidas do namoro dos meninos, o que exige uma certa dedicação da parte deles para fazer as coisas funcionarem de acordo com o plano, no entanto, logo podemos perceber que nem tudo é fingimento.

Existe um afeto genuíno que ultrapassa a linha da amizade, mas que ocorre de formas distintas. No caso de Tang Tang, ele ainda não tem muita noção dos próprios sentimentos, e apesar de ele questionar os próprios desejos e atitudes, age de forma despreocupada. Enquanto isso Qingye, que nutre sentimentos pelo amigo há algum tempo, está em uma batalha espiritual fortíssima, já que traumas passados o impedem de ser honesto com Tang Tang e consigo mesmo.

“Starting With a Lie” é um romance descontraído, com um desenvolvimento lento e que, pelo menos nesse começo, trabalha mais as relações de amizade e percepção de sentimentos, explorando o dia-a-dia dos personagens dentro do ambiente universitário. A narrativa é simples e despretensiosa, e a leveza do enredo surpreende por conseguir encaixar elementos um pouco mais dramáticos de forma sensível e equilibrada.

O autor Liang Azha é um excelente contador de histórias cujo carisma transparece em suas histórias e personagens e além disso, seus trabalhos possuem um visual único e autêntico. Confesso que este tipo de romance não faz muito a minha cabeça, e eu particularmente torço o nariz para o fato de Tang Tang precisar inventar um relacionamento para dispensar pretendentes, quando apenas poderia dizer um não, mas entendo que a ficção deve ter liberdade ao explorar tropes e clichês.







