Confira o review do volume anterior.
Neste volume acompanhamos os acontecimentos no Japão durante os últimos momentos da Segunda Guerra Mundial e no período pós-guerra, já que a edição compreende o período entre 1944 e 1953.

Sem dúvidas, o acontecimento mais marcante dessa edição é o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. A partir daí, a postura do Japão e os rumos do país foram completamente afetados. Por exemplo, o próprio Imperador do Japão teve que fazer uma espécie de “tour” pelo país para mostrar à população que era um ser humano como todos os outros. Isso porque existia a crença de que o Imperador era descendente dos deuses e possuía uma missão divina. É muito estranho parar para pensar que isso é algo bem recente na história humana (e que não evoluímos tanto assim nesse período).

Conforme dito nos textos sobre os volumes anteriores, o autor, Shigeru Mizuki, foi um soldado japonês durante esse período, e viu de perto como tudo aconteceu e as transformações da era Showa. Apesar de ele criar personagens caricatos que ajudam a contextualizar a obra, inclusive uma versão cartunizada de si mesmo, a maneira que ele retrata os acontecimentos e os textos que escreve, são, de fato, muito didáticos e detalhados. Vale relembrar que Mizuki perdeu um dos braços durante a guerra e parte das experiências que ele viveu naquele período são contadas neste volume. Aproveito para indicar o mangá “Marcha para a Morte”, do mesmo autor e publicado também pela Devir, que narra sua passagem pelo exército de forma ainda mais detalhada.

O trabalho artístico continua espetacular, mesclando desenhos realistas e cheio de detalhes (em alguns momentos até mesmo reproduzindo fotografias) com expressões exageradas e desenhos propositalmente simplórios. Pensar que ele fez tudo isso com apenas um dos braços, é insano.

Showa continua sendo uma leitura densa, mas muito enriquecedora e crítica para quem se interessa pela história recente do Japão e o contexto mundial entre 1926 e 1989. Não é apenas uma HQ, é um registro histórico escrito por alguém que viveu tudo aquilo. Recomendo demais!











