Após cumprir sua pena na prisão, Tommy parte para viver uma nova vida ao lado de uma garota que conheceu durante os quatro anos em que esteve preso, por meio de cartas. June está pronta para acompanhá-lo nessa nova fase, enquanto Tommy pretende aproveitar sua liberdade e começar tudo do zero. Todavia, nem tudo sai como o esperado. Em uma noite no motel que deveria marcar esse recomeço, os fantasmas do passado de Tommy aparecem para persegui-lo até conseguirem o que querem, envolvendo June no meio desse inferno.

O início de Moon Eaters já prende pela proposta interessante, com uma pegada que remete a Max Payne. Personagens como Tommy e June apresentam um potencial interessante a ser desenvolvido, deixando o leitor curioso para descobrir as motivações por trás de tudo aquilo que está acontecendo.

A obra passa a apresentar o passado de ambos os personagens enquanto toda a ação se desenrola e, aos poucos, vamos entendendo suas motivações, ao mesmo tempo em que novos segredos são revelados. Apesar de contar com uma história relativamente simples, a obra consegue instigar o leitor sem perder o fôlego, entregando diversos momentos frenéticos e até mesmo exagerados, no bom sentido. É justamente nisso que Moon Eaters encontra sua diversão: a história não tem grandes pretensões e é desenvolvida sabendo exatamente disso, mantendo tudo direto ao ponto.

Mas o grande chamariz de Moon Eaters é, sem dúvidas, a incrível arte de Victor Santos. Com um estilo inspirado em Sin City, de Frank Miller, Victor entrega páginas belíssimas ao longo de todo o quadrinho, utilizando o sombreamento e explorando o contraste entre preto e branco para criar cenas marcantes, com destaque para as páginas de abertura dos capítulos. É, definitivamente, um dos quadrinhos que mais se destacam pela arte e pela diagramação.

A edição da Poptopia chega em capa dura, com papel couché e miolo em preto e branco. A publicação também conta com alguns extras, como designs dos personagens, apresentados após a história principal.

Moon Eaters é outro grande acerto da Editora Poptopia, entregando uma história honesta, bem direcionada e que cumpre exatamente aquilo a que se propõe, acompanhada de uma belíssima arte calcada no uso do preto e branco. Recomendadíssimo.










