MB Review: Minha Vida em 24 Quadros por Segundo

Publicado em volume único pela editora Comix Zone, ‘Minha Vida em 24 Quadros por Segundo’ é uma autobiografia que narra a vida e a carreira de Shigeyuki Hayashi, conhecido no meio da animação como Rintarô. 

Nascido em 1941, Rintarô cresceu em um Japão devastado pela guerra, e, naquele contexto, percebe sua paixão pelo cinema, muito inspirado pelo seu pai, que sempre sonhou em ser um cineasta, mas nunca seguiu por esse caminho. 

Mesmo que o objetivo inicial dele fosse ser um cineasta, os acasos da vida fizeram com que ele trabalhasse em um estúdio de animação. Seu primeiro emprego foi como colorista na Toei, que até hoje é um dos maiores estúdios do Japão. Depois disso, ele vai trabalhar na Mushi Productions, estúdio de Osamu Tezuka que, naquele momento, estava desenvolvendo uma adaptação em anime do mangá Astro Boy, também de Tezuka, que já era um autor renomado no Japão. Entre idas e vindas, sua carreira deslancha e Rintarô atinge seu auge na indústria trabalhando em obras como Captain Harlock, Harmageddon e Metropolis, além de fazer trabalhos conjuntos com Katsuhiro Otomo.

A obra me lembrou ‘Vida à Deriva’, do Yoshihiro Tatsumi. Por mais que não seja tão incrível quanto essa citada, é muito bom saber todo o contexto cultural e social do Japão naquele período. Além de aprender mais sobre algumas nuances e sobre como realmente as animações eram produzidas, em detalhes técnicos. Sem contar as dificuldades enfrentadas pela equipe de animação como prazos irreais, excesso de trabalho e frustração.

Por se tratar de um animador, e não de um mangaká, a HQ apresenta um ritmo de leitura inconsistente e desenhos bastante abaixo do que estamos acostumados a ver. Não chega a ser um problema, mas é bom citar para que você saiba exatamente o que vai encontrar aqui.

Assim como o mangá de Yoshihiro Tatsumi, este é um mangá para quem já gosta de se aprofundar mais no mundo dos mangás e animes. Não é um quadrinho para todo mundo e a Comix Zone sabe disso. Mesmo assim, não posso deixar de parabenizá-los pela escolha do material, que, inclusive, ganhou o Prêmio Cultural Osamu Tezuka em 2025. Devo admitir que saí da leitura com vontade de assistir à um longa animado.


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