MB Review: Metrópolis

Metrópolis foi escrito e desenhado pelo ‘Deus do mangá’, Osamu Tezuka, em 1949 e finalizado em volume único. Tezuka teve a ideia de criar o mangá ao ver o pôster do filme homônimo, de Fritz Lang, em uma revista de cinema. O mangá recebeu uma adaptação para anime em formato de longa metragem no ano de 2001 pelo estúdio MadHouse, roteirizada pelo lendário Katsuhiro Otomo, autor de Akira, que misturou a obra de Tezuka com elementos do filme de Fritz Lang.

A obra acompanha Michi, um robô que foi criado pelo cientista Dr. Lawton, por ordem do vilanesco Duque Red, que ordenou que ele criasse um andróide cujas habilidades pudessem dar a ele e sua organização conhecida como Partido Red, imenso poder. Porém, em um ato de bravura, Dr. Lawton consegue fugir com o robô e escapar das garras do Duque. Ao menos por um tempo…

O mangá retrata alguns temas pertinentes e que são atuais até hoje. Abuso de poder, grandes corporações, robôs adquirindo sentimentos e interesses políticos são alguns exemplos disso. Mas por ser um mangá do início da carreira do Tezuka, parte dessa seriedade se perde por conta do estilo extremamente caricato que o mangaká utilizava na época. Isso não significa que os desenhos são ruins, pelo contrário, são cheios de personalidade e mostram como ele era um artista dinâmico. Contudo, acho que o quadrinho se perde um pouco ao tentar achar um público, já que é infantil demais para adultos e complexo demais para crianças. 

O fato de ser um volume único não colabora com a narrativa. Tudo é resolvido muito facilmente e várias coisas que poderiam ter sido mais aproveitadas, acabam sendo deixadas de lado. Mas tenho plena consciência que é uma obra proveniente de uma época em que os mangás eram bem diferentes.

Para aqueles que são entusiastas de mangás antigos e fãs do Tezuka, Metrópolis não deixa de ser uma boa pedida, já que é volume único e representa bem como foi o início de carreira do mestre. Mas se você busca uma trama um pouco mais adulta, talvez seja mais negócio assistir ao filme. A minha recomendação final é: leia o mangá e depois assista ao anime para ver as diferentes visões desse quadrinho.


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