MB Review: Rio (Graphic Novel)

Rubens é um garoto que cresceu na favela ao lado de sua irmã mais nova, Nina. A vida de ambos toma um rumo inesperado quando sua mãe é assassinada por Jonas, um policial corrupto que a utilizava como informante. A partir desse momento, Rubens e Nina precisam aprender a sobreviver nas ruas, fazendo o que for necessário para seguir em frente, até que o destino os coloca diante de uma família de estrangeiros ricos que busca formar uma nova vida no Brasil.

A trama de Rio apresenta seus personagens centrais já em seu primeiro capítulo, permitindo que o leitor estabeleça rapidamente uma conexão com eles, que serve como elo para seus desenvolvimentos ao longo da narrativa. De um lado, temos Rubens, um garoto casca-grossa que passa a transitar entre mundos distintos ao conviver com a alta sociedade, aprendendo, na prática, como funcionam os dois lados dessa realidade. Por outro, como antítese, temos Jonas: o clássico policial corrupto, marcado por um passado frágil, que atua como contraponto direto ao protagonista, estabelecendo com ele um embate constante, seja de forma direta ou indireta, ao longo da história.

O principal ponto negativo de Rio está em sua abordagem carregada de estereótipos sociais e religiosos, que por vezes fazem a obra soar como um retrato pensado mais para ”gringo ver” o Brasil. Ainda assim, a narrativa não se resume a esses problemas. A história consegue entreter e instigar o leitor, conduzindo-o com eficiência por seus acontecimentos e despertando curiosidade sobre os rumos que a trama irá tomar. Mesmo apoiando-se em certos clichês, a obra mantém o interesse até sua conclusão.

Outro destaque está na consistência da função narrativa de seus personagens. Cada um deles cumpre um papel bem definido e permanece relevante até o momento adequado da história, facilitando a identificação por parte do leitor e garantindo que todos os elementos se mantenham interligados de forma coesa e satisfatória.

A arte e as cores de Corentin Rouge são um espetáculo à parte. Coretin entrega uma narrativa visual impactante, capaz de capturar a atenção já no primeiro contato e despertar imediatamente a vontade de iniciar a leitura. Nesse aspecto, Rio acerta em cheio, equilibrando de forma eficiente seus acertos e falhas.

Rio definitivamente não é um quadrinho que agradará a todos. Ao se apoiar em certos estereótipos, a obra compromete parte de sua qualidade, mas é inegável sua capacidade de prender o leitor com uma narrativa repleta de reviravoltas e de manter o interesse até seu desfecho. Dentro dessa perspectiva, e com o olhar adequado, o quadrinho cumpre seu papel de maneira satisfatória.


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