Uma misteriosa mulher desperta em um local desconhecido. Ao observar seu reflexo na água, percebe traços demoníacos em sua aparência. A única coisa de que se lembra é de sua filha perdida: Izuna. Em poucos segundos, essa mãe se depara com uma pessoa de aparência antropomórfica, com traços de coelho, que a captura temendo que aquela mulher possa representar tanto sua salvação quanto sua destruição.

Sem entregar o jogo, esse é o mote inicial de Forma ou Consciência. A partir daí, começamos a compreender, de maneira relativamente rápida, como esse mundo fantástico funciona. A narrativa se inicia com a história de Kensu, um ser poderoso banido do reino dos espíritos que, ao cair na Terra, acelerou o surgimento de crianças com aspectos animalescos. No entanto, Kensu também passou a firmar pactos com seres humanos, transformando-os em demônios — e é nesse ponto que a protagonista materna se encaixa, podendo ser a chave para derrotá-lo e salvar a humanidade.

Com suas bases mitológicas bem estabelecidas, a obra entra em um ritmo frenético, acompanhando a jornada da protagonista em busca de sua amada filha, enquanto tenta compreender sua verdadeira identidade. Paralelamente, somos apresentados a uma vasta galeria de personagens que enriquecem o universo da narrativa, ambientado na vila Zoku, local onde as crianças são protegidas dos demônios. É interessante notar como a obra explora esse outro lado de seu mundo, sem pressa em avançar exclusivamente na trama da protagonista, priorizando a construção do cenário e das múltiplas possibilidades que esse universo fantástico tem a oferecer.

Folhear Forma ou Consciência e se deparar com sua arte provoca praticamente a mesma reação em todos: “uau”. E não é por acaso. A arte de Akíla Gabriel é simplesmente impressionante, inspirada em mestres como Takehiko Inoue, mesclando diferentes estilos ao longo das páginas. As cenas de ação são intensas e dinâmicas, capazes de deixar o leitor boquiaberto. Quando publicamos as fotos da versão independente, no início de 2025, recebemos inúmeros comentários de leitores que ainda não conheciam a obra, todos impressionados com o alto nível artístico que Akíla demonstrava em suas páginas. Por isso, é um alívio, e também uma satisfação, ver Forma ou Consciência ser republicada em uma edição com acabamento à altura de sua qualidade.

A edição da Taverna do Rei chega com uma identidade visual belíssima: capa cartão com sobrecapa, papel pólen bold e brindes como marcador e postal. Além disso, a edição apresenta melhorias significativas na qualidade dos arquivos e na diagramação em comparação à versão independente. A edição do encadernado fica a cargo do veterano e premiado quadrinista Max Andrade, agregando ainda mais qualidade ao relançamento.

Lançado na reta final de 2025, Forma ou Consciência se consolida como um dos grandes destaques do ano. Um acerto notável da Taverna do Rei ao apostar em uma obra de tamanho potencial criativo, além de mais uma prova de que o quadrinho nacional possui uma força criativa impressionante a ser explorada. Altamente recomendável.











