MB Review: Fênix #6 (Final)

Confira o review do volume anterior.

No sexto e último volume de Fênix, acompanhamos o fim do “Arco do Sol”, que se iniciou na edição anterior. Esse arco retrata a história da chegada do Budismo no Japão de um jeito muito diferente, literalmente por meio de uma guerra espiritual. O protagonista, tenta impedir que o Imperador force as pessoas a abandonarem sua fé e seguirem o Budismo. A trama alterna entre passado e futuro, com Tezuka trabalhando simultaneamente os dois períodos e traçando paralelos entre eles. Acredito que a principal mensagem do arco é: fé e religião não são problemas, são benéficas. O problema é quando elas se misturam com política e são usadas como instrumentos de opressão e manipulação. Algo que em 2026, ainda vemos acontecer com frequência. 

Na sequência temos alguns arcos extras que foram produzidos. São histórias legais, mas curtas. Por esse motivo, são inferiores quando comparamos às demais tramas vistas nos 5 volumes anteriores. 

Eu poderia escrever páginas e páginas sobre o quanto Fênix é um mangá completo. Cada roteiro e cada personagem parecem ter sido cuidadosamente planejados pelo autor para que o leitor pudesse, de fato, pensar sobre o que está lendo. É até difícil explicar o que é Fênix. O pássaro lendário é algo importante, que permeia todo o mangá, como uma divindade, mas, ao mesmo tempo, há arcos que mal o vemos. Ainda assim, tudo se desenvolve ao redor dele. A obra aborda passado, presente, futuro, religião, guerras, ficção científica, espaço, mitologia, humor…Tudo.

É dito que essa seria a obra da vida de Osamu Tezuka. Isso faz sentido porque o mangá foi publicado ao longo de 21 anos, entre 1967 e 1988 e passou por diversas revistas. A evolução do mangaká é notória nesse período.

Eu amo o traço do autor, mas há quem não gosta por considerar “datado” (o que é um sacrilégio). Se você é um desses, eu peço que supere isso e dê uma chance. Fênix, é de arrepiar. Um quadrinho adulto que vai te fazer rever muita coisa. Um dos melhores mangás que já li em minha vida, que me fez perceber porque Tezuka era inigualável. O fato da obra nunca ter tido um final definitivo, não me incomoda. Até porque, assim como a Fênix, o legado e a história de Osamu Tezuka, são imortais.


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