Domingos é um álbum autobiográfico que reúne memórias cuidadosamente selecionadas por Sidney Gusman para retratar a trajetória de sua família, desde o nascimento de seu pai até o momento de sua partida. A obra apresenta ao leitor recortes sensíveis desse percurso, compartilhando vivências íntimas e universais ao mesmo tempo.

Apesar de soar como algo profundamente pessoal, Domingos evoca uma energia singular durante a leitura. A narrativa constrói uma conexão genuína com o leitor, tornando quase impossível não se emocionar ao acompanhar a trajetória de Seu Domingos. Ao mesmo tempo, a obra nos convida a compreender, junto a Sidney, algumas das razões pelas quais nossos pais podem ser tão duros em determinados momentos, algo que passamos a entender melhor conforme envelhecemos.

É justamente nesse ponto que Domingos revela um de seus maiores trunfos: sua “dupla camada” narrativa. Mais do que contar uma história emocionante, a obra desperta memórias pessoais no leitor, evocando lembranças carregadas de afeto. O clima nostálgico permeia toda a leitura, tornando difícil não recordar momentos da infância, reuniões familiares ou até mesmo pessoas queridas que já partiram. Esse é, talvez, o grande segredo da obra: a capacidade de evocar esses sentimentos guardados.

A escolha de Jefferson Costa como responsável pela arte reforça ainda mais a força do projeto. Com seu traço característico e expressivo, o artista traduz a narrativa com precisão admirável, equilibrando com sensibilidade os momentos leves e os de maior carga dramática. Quando a história pede suavidade, ela entrega; quando exige impacto, ele vem com força.

Domingos é, em essência, uma obra profundamente pessoal, mas que conduz o leitor a uma experiência igualmente íntima. Ao final, fica a sensação de um coração mais leve, após uma jornada emocional e reflexiva. É o tipo de leitura que tende a ressoar de maneiras diferentes ao longo dos anos, revelando novas camadas a cada releitura. Recomendadíssimo.










