MB Review: Billy Bat #4

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O quarto volume de Billy Bat constrói uma teia densa de conspirações em torno de destino e livre-arbítrio. Enquanto Kevin Yamagata tenta alterar o curso dos acontecimentos que levarão ao assassinato de John F. Kennedy, a narrativa mistura paranoia e um suspense de contornos quase religiosos. A pergunta central ecoa de forma inquietante: como tentar evitar o inevitável? Ou seja, um crime que o próprio Billy já havia previsto.

Lee Harvey Oswald, agora no centro da conspiração, deixa de ser apenas o vilão histórico para se tornar um personagem trágico, usado como isca em um jogo que mal compreende. Aqui, ele surge como o “culpado perfeito”, mas carregando a convicção íntima de que ainda pode fazer algo certo. O que mais chama atenção é a forma como Urasawa retrabalha fatos reais e os transpõe para o mangá, um terreno sensível, abordado sob a ótica fictícia de um morcego.

E, embora Kevin falhe em impedir o assassinato de Kennedy, ele consegue salvar Kevin Goodman, o filho de Diane e Tony. Esse “outro Kevin” talvez seja o verdadeiro escolhido de Billy? Quem sabe. A cena, contudo, funciona como um lembrete de que mudar o destino pode ser, no fim das contas, impossível.

Ao longo da narrativa, retornamos ao Japão, conectando o presente à lenda do pergaminho de Komori. Urasawa brinca com a ideia de que a história se repete não apenas por destino, mas por influência humana, ou talvez sobrenatural. O que é mais assustador: um deus que manipula o tempo ou a nossa incapacidade de aprender com ele?

No desfecho, o quarto volume ainda não oferece respostas definitivas, posicionando-se como o ponto em que o mito encontra a história. O presidente morre, mas o verdadeiro sacrifício é o de Kevin, que percebe que até mesmo a verdade pode ser manipulada. São justamente esses mistérios que tornam a espera pelo próximo volume ainda mais irresistível.


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