Os dois primeiros episódios de “Força, Nakamura-kun!!!” entregam exatamente a proposta da obra: uma comédia romântica sobre os perrengues e as humilhações de um adolescente que vive uma paixão platônica.

Okuto Nakamura é um jovem gay e tímido que, em seu primeiro dia no ensino médio, se apaixona à primeira vista por seu colega de turma, Aiki Hirose. Mesmo sem nunca ter trocado uma única palavra com ele, Nakamura alimenta esses sentimentos criando cenários imaginários nos quais age com uma confiança completamente incompatível com sua personalidade. Ele sonha com uma oportunidade de se aproximar de Hirose, mas, quando finalmente surge uma abertura, a realidade se mostra bem diferente dos seus devaneios.

A adaptação acerta no tom destrambelhado e caótico, entregando “50 tons de gay panic” a cada interação atrapalhada entre Nakamura e Hirose. No entanto, ao optar por deixar de fora elementos específicos do mangá original, acaba suavizando o protagonista. Talvez isso tenha sido uma decisão pensando em uma audiência mais jovem (no Brasil, a classificação indicativa é 12 anos), mas ainda assim fica um leve cheiro de higienização. Isso não compromete os méritos do anime, de forma alguma, mas é difícil não se incomodar ao ver pessoas comemorando essa escolha, como se fosse errado um jovem gay sentir desejo por quem ama.

Também vale alinhar expectativas: “Força, Nakamura-kun!!!” não é um BL de romance escolar idealizado. A obra é, antes de tudo, sobre os sentimentos e as experiências de um garoto apaixonado. Trata-se de um slice of life despretensioso que, mesmo com uma abordagem cômica e exagerada, mantém certa conexão com a realidade — afinal, quem nunca se atrapalhou tentando impressionar alguém? Portanto, se a expectativa for um desenvolvimento romântico mais convencional, pode haver frustração.
“Força, Nakamura-kun!!!” está disponível na Crunchyroll com dublagem simultânea. O mangá (em 2 volumes) foi publicado pela NewPOP.

