“No love will ever save you. No kisses are too deep”, é com essa citação providencial que damos início a leitura de “Sanctify”, um manhua BL que mescla terror sobrenatural com investigação criminal, explorando com habilidade os horrores da idealização cristã do que é o mal.
Lance Hunter é o último exorcista de Londres e tem a função de proteger as pessoas de forças malignas, no entanto sua função parece estar obsoleta e ele se encontra em uma situação complicada. A reviravolta vem quando ele de repente é convocado pela polícia local para colaborar em uma investigação e se vê envolvido em uma trama sinistra.

Gilbert é o policial designado para acompanhar Lance na resolução deste crime brutal com indícios sobrenaturais. Gentil e muito amigável, ele demonstra uma preocupação com o estado de Lance, que leva uma vida descuidada e mantém péssimos hábitos. No decorrer da investigação, eles se deparam com um possível culto demoníaco que revolve o passado nefasto de todos os envolvidos e indicam que Gilbert pode ter uma profunda conexão com os acontecimentos recentes.

A narrativa de “Sanctify” é densa e intrigante, fazendo bom uso de flashbacks e recursos visuais de luz e sombra. Vale ressaltar que a obra ser em preto e branco faz total diferença, deixando a atmosfera mais sombria, e ainda assim amenizando o possível desconforto causado pelas cenas mais pesadas.
Este primeiro volume faz um excelente trabalho de introdução, criando a tensão necessária para os próximos volumes. Um diferencial é o capítulo extra, no fim do volume, que é a maior razão pelo alerta de conteúdo. Com uma tonalidade diferente e detalhes coloridos, causa o impacto necessário ao mostrar que a relação entre Lance e Gilbert será muito mais complexa do que aparenta, ao mesmo tempo que se destaca da história principal.

A escolha deste título foi um grande acerto da editora NewPOP, que vem diversificando seu catálogo de BL´s com obras que fogem das narrativas românticas convencionais, entregando obras com potencial de atingir leitores distintos. E eu mal posso esperar para ter cada um dos 4 volumes de “Sanctify” nas minhas mãos, mesmo que isso me custe algumas noites de sono tranquilo.











