MB Review: New York, New York #01

Na cidade de Nova York, conhecemos Kain Walker, um jovem policial de 24 anos que curte as noites em bares em busca de parceiros ocasionais, até que, em uma dessas noites, um rapaz loiro chama sua atenção. Seu nome é Mel Frederics, um jovem de 22 anos que trabalha durante o dia como garçom. A partir desse encontro, inicia-se uma história de romance que passa por diversos desafios, colocando à prova o amor de dois rapazes que se conheceram em uma noite calorosa.

A obra apresenta rapidamente seus dois personagens principais logo em seu primeiro capítulo, definindo com clareza suas personalidades. Enquanto Kain é mais frio e calculista, Mel é sentimental e dócil, criando um contraste que funciona muito bem, e esse é o maior acerto que faz New York, New York mexer com os sentimentos dos leitores.

Kain esconde o fato de ser homossexual e vive com medo de ser descoberto por seus colegas de trabalho, além de demonstrar bastante ciúme em relação aos ex-parceiros de seu namorado. Já Mel se mostra fragilizado diante dos traumas de um passado sombrio. Essa conexão entre os dois protagonistas gera momentos que aquecem o coração do leitor, ao mesmo tempo em que causa certo desconforto em passagens mais pesadas, e é justamente isso que contribui para humanizar ainda mais os personagens.

Além disso, a obra aborda outros assuntos delicados e os desenvolve de maneira assertiva, fazendo com que os temas tratados façam sentido dentro da narrativa e não pareçam inseridos apenas para criar volume. Cada elemento possui um propósito claro na construção dos personagens.

A arte de Marimo Ragawa consegue transmitir com exatidão os momentos intensos que a obra carrega, potencializando os sentimentos dos personagens por meio de expressões e olhares, entregando belíssimas páginas marcadas pela estética noventista da época de sua publicação. Sua arte lembra, em algums momentos, até mesmo obras como Banana Fish.

A edição da Panini segue o padrão de outras obras, com capa cartão e papel off-white. Como brinde, a edição acompanha um marca-páginas e um adesivo para ser utilizado no diário de leitura. Assim como na edição japonesa, a obra não conta com páginas coloridas em seu miolo. O primeiro volume possui 360 páginas.

O primeiro volume de New York, New York entrega o início de uma história intensa, com personagens humanizados e um retrato sensível e preciso de temáticas delicadas. Um baita acerto da Editora Panini. Recomendadíssimo.


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