Confira o review do volume anterior.
O quarto e último volume conclui a saga de Ikkyu, cuja história acompanhamos desde a sua infância. Vemos o personagem agindo plenamente da forma pela qual ele foi conhecido. Vivendo entre o sagrado e o profano e frequentemente fazendo o leitor questionar se Ikkyu realmente tem alguma fé.

Foi interessante acompanhar a jornada desse monge, que realmente existiu e é reverenciado no Japão até hoje. Filho bastardo do imperador e criado longe de todo o luxo, sua jornada não foi fácil. Enviado ao monastério ainda criança para “perder sua verdadeira identidade”, se decepcionou com as contradições e atitudes indevidas daqueles que se diziam servos de Buda. Ao acompanhar a trajetória, temos a resposta para a questão que citei no parágrafo anterior. Sim, Ikkyu ainda possui sua fé, mas desenvolveu uma visão muito própria e que confrontava entendimentos convencionais.

Apesar de ser uma boa história, sinto que é uma obra que enfrenta certas dificuldades em se comunicar com o leitor brasileiro. Não que isso seja ruim, mas retrata um período específico, uma pessoa muito específica, em um contexto muito diferente de tudo o que vemos no Brasil. Isso é algo bom se analisarmos da perspectiva que tudo é aprendizado. Mas em certas ocasiões a leitura torna-se um pouco cansativa por conta dos diversos termos budistas e referências a personalidades do Japão daquela época.
Vale destacar que a editora Veneta fez um trabalho magistral, com notas e textos complementares que podem ser consultados ao fim da edição para contextualizar o leitor em tudo o que citei. Mas isso não muda o fato que o ritmo de leitura é impactado.

A edição nacional é linda. Digna da deslumbrante arte de Hisashi Sakaguchi, cujo tamanho permite ver os mínimos detalhes dos traços do autor. É instigante ver as atitudes de Ikkyu e é possível entender o motivo de ele ser famoso no Japão até hoje. Além disso, certos ensinamentos do monge servem para o nosso dia a dia.

Ikkyu é uma série muito boa, mas se comunica melhor com aqueles que já possuem algum interesse em mangás com um ritmo menos frenético que os atuais e que se interessam pela história do Japão.











