MB Review: Bakuon Rettou – Arquipélago De Motores #1

Parece que a era dos “mangás impossíveis de serem publicados no Brasil” chegou ao fim. Após Akira, Jojo’s, Gash Bell e Hajime no Ippo, temos Bakuton Rettou. Eu não considerava a obra totalmente impossível de sair por aqui, mas achava improvável. Não por conta do tamanho ou por problemas contratuais, mas por ser de um gênero menos popular por aqui: os mangás de delinquentes. Alguns expoentes dessa categoria são Crows, Rokudenashi Blues e GTO.

Bakuon Rettou foi escrito e desenhado por Tsutomu Takahashi e publicado entre 2002 e 2012, e foi finalizado em 18 volumes. O autor não é inédito no Brasil, já que, em 2017, a Panini publicou o volume único “Alive”. 

O enredo acompanha Takashi Kase, um adolescente que acaba de se mudar para Tóquio com sua família, que decide deixar a cidade natal do rapaz após ele se envolver com delinquentes em sua antiga cidade. Mas como o fruto não cai longe do pé, assim que chega em sua nova escola, logo faz amizades com alguns aspirantes a bosozoku (delinquentes juvenis que se organizam em gangues de motociclistas). Conforme o tempo passa, Takashi cada vez mais vai se interessando por esse mundo e pelas motocicletas

O primeiro volume nos dá um panorama de como a série vai ser, já que, alguns acontecimentos, foram baseados na experiência do próprio autor, que fez parte dessas gangues quando jovem. 

Durante os anos 70 e 80, esses movimentos foram muito fortes no Japão, e, por mais que esteja muito pequeno atualmente, ainda existem. O mangá também explora dramas pessoais dos personagens, como o pai do protagonista, que é alcoólatra. 

Com uma arte que mistura muito bem aspectos realistas e caricatos, Bakuon Rettou entrega um ótimo primeiro volume. Acredito que a trama vai se desenvolver mais para o lado slice of life/drama do que para um mangá de ação, por mais que eu sinta que vai haver bastante disso também. 

Se você tem interesse pelo Japão, vale a pena dar uma chance à série, já que, por bem ou por mal, os bosozoku são frutos de toda uma cultura própria e remonta aos tempos de resistência dos japoneses durante a ocupação estadunidense no país após a Segunda Guerra Mundial.


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