Especial: A Cultura dos Delinquentes Japoneses no Mangás

Yusuke Urameshi é exemplo de uma subcultura que já foi muito forte no Japão, e, mesmo que não seja tão popular quanto foi nos anos de 1980, ainda ocupa espaço no imaginário japonês. Obras relativamente recentes como Tokyo Revengers nos comprovam isso.

Crows, de Hiroshi Takahashi

Os delinquentes japoneses são conhecidos como “Yankiis. A origem do termo ainda é incerta, mas acredita-se que seja uma variação de “Yankee, palavra que foi muito usada durante a 2ª Guerra Mundial para se referir aos soldados estadunidenses, com alguns estudiosos dizendo que tais grupos foram inspirados pela cultura americana do pós-guerra. Geralmente se organizavam em grupos durante a época do Ensino Médio e rivalizavam com os seus pares de outras escolas. Autores como Hiroshi Takahashi e Masanori Morita são famosos por mangás do gênero, como Crows e Rokudenashi Blues, respectivamente. Gachankii, de Hiroshi Shimomoto, por exemplo, é uma obra muito recente que satiriza o tema e está disponível oficialmente no aplicativo MangaPlus. 

Gachankii, de Hiroshi Shimomoto

Existem também os “bosozoku”, arruaceiros que se organizam em gangues de motociclistas. Ao mesmo tempo em que rejeitam as rígidas normas impostas pela sociedade japonesa, exaltam a cultura e tradição local, não sendo um movimento político, mas com ideais patrióticos. Assim como os yankiis, também são de arrumar confusão com gangues rivais e adoram personalizar suas motocicletas. Quando os membros são mulheres, elas são conhecidas como “sukeban”.

Bakuon Rettou, de Tsutomu Takahashi

Segundo o antropólogo Ikuya Sato, o objetivo dos bosozoku era causar tumultos para aparecer no noticiário do dia seguinte. Serem considerados uma espécie de “heróis de sábado à noite”, como ele mesmo diz. Os grupos começaram a surgir na década de 1950, mas o auge deles foi nos anos 1980. Em 1982, existiam pelo menos 42,5 mil.

Durante minha última ida ao Japão, pude ver alguns deles e ouvir o barulho estrondoso dos motores durante à noite. Mas assim como os yankiis, eles já não são tão numerosos como no passado. Bakuon Rettou, de Tsutomu Takahashi e atualmente publicado no Brasil pela Panini e a prequela de GTO, Shonan Junai Gumi (inédita no Brasil), são obras que exploram esse tema de forma muito interessante.

Great Teacher Onizuka (GTO), de Tohru Fujisawa

1 comentário em “Especial: A Cultura dos Delinquentes Japoneses no Mangás”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima